jacotei

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

sexta-feira, 24/agosto/2007

A rotina de escrever para o blog traz uma série de curiosidades. Uma delas é a escolha do tema. Passo até dias pensando nisso. Mal acabo de postar um texto e já fico imaginando qual será o próximo. Dessa forma, passam muitas coisas pela cabeça. Até ontem à noite, quando jantava num shopping, sabia que iria escrever sobre um assunto, mas ao chegar em casa surgiu-me uma nova idéia. E é sobre ela que escrevo agora: a inveja.

No seu livro, da série sobre os pecados capitais, Zuenir Ventura trata a inveja não apenas como o desejo humano de ter o que outro tem, mas como a vontade de que o outro não tenha aquilo que tem. Acho que já senti os dois tipos, e o último é pior do que o primeiro. Estar consciente sobre minhas emoções e sentimentos tem sido um passo muito importante na busca pelo auto-conhecimento e crescimento pessoal. Quando reflito sobre o que estou sentindo, acabo combatendo muitos dos meus sentimentos negativos, como a inveja, sobre a qual romanceia Zuenir, por exemplo.

Sinto diariamente a inveja “boa” e não a combato. A partir das minhas vontades, vou estabelecendo as metas e objetivos pra vida. Desejo ter um monte de coisas, as quais não tenho – a maioria de coisas bem simples, que os amigos que invejo nem se dão conta da sua importância pra mim e, talvez, nem para eles.

Invejo, por exemplo, os amigos que podem ver e abraçar a mãe todos os dias. Invejo os que têm um pai, com quem podem se aconselhar e trocar confidências. Invejo aqueles que passam por mim correndo, enquanto caminho no Bosque dos Namorados. Invejo a rotina dos aposentados. Invejo quem pode criar uma galinha no quintal. Invejo o pescador de Barra de Cunhaú, que não precisa alugar casa, nem encher a mala do carro, para ir pescar na beira da praia. Invejo a paciência de quem tem mais de dois filhos. Invejo quem consegue ler um livro por semana. Invejo quem escreve livros. Invejo a inspiração dos poetas. Invejo quem mora perto do trabalho. Invejo quem consegue assistir o Jô.

Invejo aqueles que almoçam em família. Invejo quem sabe tocar violão – ou qualquer outro instrumento. Invejo quem pára pra ouvir música. Invejo a inocência dos meus filhos. Invejo os que viveram em outras épocas. Invejo quem vive pra ajudar os outros. Invejo os quem amam demais. Invejo os amigos que têm fé. Invejo aqueles que já descobriram o caminho da felicidade.

Assumo minha inveja lembrando e refletindo do que está escrito em Eclesiastes: querer tudo é como correr atrás do vento. Não se alcança nunca.

E você, inveja o que?